A Prefeitura de Araguaína concluiu nesta segunda-feira, 8, a programação da Semana do Meio Ambiente 2026 com a realização do 4º Fórum das Águas. O evento reuniu especialistas, representantes do poder público e do setor produtivo para discutir o uso múltiplo da água, ações de conservação e os resultados do monitoramento hídrico realizado no município.
A Semana do Meio Ambiente teve início com blitzen educativas e a distribuição de 200 mudas de árvores nativas à população, e contou também com a participação de estudantes de escolas públicas e privadas em um mutirão de limpeza na Prainha da Via Lago, plantio de mudas de árvores nativas e soltura de mais alevinos no Lago Azul.
O encerramento destacou iniciativas voltadas à preservação dos recursos hídricos, entre elas a apresentação da startup Hidrocensos, desenvolvida no Instituto Federal do Tocantins (IFTO), e serviu como espaço de diálogo entre o poder público e o setor produtivo.
O gestor ambiental Thiago Pereira Santos, que atua com licenciamento ambiental e outorgas de uso da água, avaliou que o evento é importante para manter profissionais e empreendedores atualizados sobre normas e exigências técnicas.
“Como cidadão e também como empresário, acabo sendo uma ponte de ligação para passar informação. Muitos clientes veem o evento nas redes sociais e me perguntam sobre o que foi tratado na Prefeitura. Muitas vezes a linguagem é um pouco mais técnica e as pessoas acabam não entendendo, então me ligam para perguntar e nós fazemos essa tradução", afirmou o Santos.
Monitoramento contínuo
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Meio Ambiente e Turismo, Joaquim Quinta Neto, Araguaína possui atualmente 40 pontos de interesse hídrico, dos quais 28 já são monitorados regularmente.
Os pontos analisados incluem a cabeceira do Rio Lontra, com seis locais de monitoramento ao longo do percurso até o Rio Araguaia, além de córregos urbanos utilizados para lazer, como o Neblina e o Chupé.
Para acompanhar a qualidade da água, o município mantém dois programas de monitoramento. “Nós temos o Banha Araguaína, que é um monitoramento exclusivo em pontos de balneabilidade, e temos também o Monitorágua, que avalia os parâmetros de lançamento de resíduos de vários empreendimentos”, explicou Joaquim Quinta Neto.
Por meio do Monitorágua, são fiscalizados lançamentos de efluentes de empreendimentos industriais e institucionais, incluindo frigoríficos, o Presídio Barra da Grota e o Hospital Dom Orione (HDO). As análises são realizadas antes e após os pontos de descarte para verificar possíveis impactos nos cursos d’água.
Tecnologia em favor da preservação
Um dos destaques do fórum foi a apresentação da Hidrocensos, startup criada por estudantes e professores do IFTO com foco em soluções de monitoramento inteligente da qualidade da água.
O professor de computação Alexandre Vilas Boas explicou que a iniciativa surgiu durante um hackathon realizado na Campus Party 2024, a partir de um desafio relacionado às mudanças climáticas. Posteriormente, a equipe passou a desenvolver a solução em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o Laboratório de Águas de Araguaína.
A tecnologia consiste em um dispositivo capaz de realizar aferições contínuas dos parâmetros de balneabilidade, permitindo o acompanhamento instantâneo da qualidade da água. O sistema já está em fase de testes pela Prefeitura de Araguaína.
O desenvolvimento ocorreu dentro do IF Maker, ambiente de inovação do IFTO equipado com impressoras 3D, ferramentas de robótica e cortadoras a laser.
“A tecnologia foi criada para apoiar tanto a fiscalização ambiental quanto o acompanhamento realizado por produtores rurais e indústrias, contribuindo para a proteção dos recursos hídricos”, afirmou Vilas Boas.
Reflexos na saúde pública
O monitoramento das águas também foi apontado como uma ferramenta importante para a prevenção de problemas de saúde pública.
O biólogo e professor do curso de Medicina da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), Sandro Estevão, destacou a parceria entre a universidade e o município para a realização de análises periódicas na bacia do Rio Lontra.
Mensalmente, equipes realizam a coleta e avaliação de parâmetros físico-químicos e microbiológicos, incluindo a presença de coliformes fecais, tanto durante o período chuvoso quanto na estiagem.
“Isso auxilia, por acaso, se tiver alguma região fora dos parâmetros do CONAMA, é fácil a gente tentar resolver essa questão antes de casos clínicos aparecerem, principalmente no hospital, como doenças hídricas. Esse trabalho ajuda a monitorar a qualidade da água e, com isso, tentar prevenir ou antecipar algumas ações frente a alguma contaminação”, explicou Sandro.
